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Instituto Cultural Cravo Albin

 Um recanto – também on line – para o passado, o presente e o futuro da MPB

Por Lígia Diogo
ligiadiogo@hotmail.com

Lígia Diogo é graduada em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (2006), 
onde também concluiu a pesquisa de mestrado e cursa, atualmente, doutorado com o projeto 
“Upload yourself: ser e interagir com os vídeos do YouTube”. 


 

Conhecemos o Instituto Cultural Cravo Albin (ICCA) por meio de um artigo publicado no penúltimo número da revista Rio Pesquisa, uma publicação da FAPERJ. O artigo, escrito pelo próprio Ricardo Cravo Albim, foi intitulado “Uma década de serviços prestados à MPB”.

Site do Instituto Cultural Cravo Albin
http://institutocravoalbin.com.br/

Apesar de o instituto ser localizado em um dos pontos mais belos da cidade do Rio de Janeiro, no bairro da Urca, ainda não fizemos uma visita ao seu prédio. Aproveitamos para trazer especialmente para esse número da revista, e para a Estação Transmídia, um pouco da presença desse instituto também no espaço virtual. O site do ICCA em si, pode ser considerado um espaço muito especial dedicado à exposição, à pesquisa, à preservação e à promoção da música brasileira, especialmente a popular e a carioca.

 

Vídeo de apresentação


Vale ressaltar que antes mesmo da inauguração do instituto, Ricardo Cravo Albin havia iniciado em 1995, o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Desde 2001, esse material, que está constantemente sendo atualizado, foi disponibilizado on-line.

Dicionário da MPB:
http://dicionariompb.com.br/

A visita on line não parou por aí. Guiados pelo texto de Cravo Albin, também conferimos a revista Carioquice, os Catálogos Temáticos desenvolvidos a partir do acervo do ICCA, e a rádio Dica da MPB.

Catálogos temáticos: 
http://institutocravoalbin.com.br/projetos/catalogos-tematicos/

Revista Carioquice:
http://institutocravoalbin.com.br/publicacoes-do-icca/revista-carioquice/

Rádio-web "Dica da MPB"
http://www.dicadampb.fm/

Aqui a proposta é apenas apresentar o ICCA para quem não o conhece. Vale frisar, todavia, que existem muitas outras iniciativas interessantes sendo desenvolvidas nessa instituição. Para quem pesquisa ou se interessa por música brasileira, deixamos ainda duas dicas:

A primeira é conferir o artigo de Ricardo Cravo Albin que se segue (gentilmente cedido por Paul Jürgens, editor da revista Rio Pesquisa).

A segunda dica, claro, é fazer uma visita ao prédio do instituto. Além da vista da baia de Guanabara, há uma discoteca e outras relíquias analógicas que merecem ser conferidas de perto (e que estão fora do alcance de uma experiência apenas virtual).

  


Uma década de serviços prestados à MPB

(ano IV, número 14, de março de 2011)
http://www.faperj.br/downloads/revista/Rio_Pesquisa_14_2011.pdf

Ricardo Cravo Albin

Musicólogo, historiador de MPB, produtor musical, de rádio e televisão, crítico, comentarista e escritor, foi diretor da Embrafilme e presidente do Instituto Nacional de Cinema (INC). Autor de mais de 2.500 programas para a Rádio MEC, fundou e dirigiu (1965-1971) o Museu da Imagem e do Som (MIS). À frente do Instituto Cultural Cravo Albin (ICCA), criou o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, disponível on-line na Internet, com cerca de sete mil verbetes.

Em artigo exclusivo para a Rio Pesquisa, o musicólogo e historiador da MPB Ricardo Cravo Albin faz um resumo das atividades do instituto que leva seu nome, depositário de um dos mais importantes acervos de música popular brasileira no País.
 


O Instituto Cultural Cravo Albin (ICCA) nasceu, formalmente, nos primeiros meses de 2001, respaldado por personalidades cariocas de público reconhecimento, companheiros meus de vida dedicada ao País.

O Instituto – uma instituição sem fins lucrativos e no qual os dirigentes são impedidos pelos estatutos de receber remuneração – funciona no sítio histórico-arqueológico do Largo da Mãe do Bispo, uma área de 3.000 metros2 dentro de braço da Mata Atlântica, abrangendo vários platôs nas encostas dos morros Pão de Açúcar e Urca. Esta surpreendente chácara e seus arredores – onde pontifica uma construção de feição colonial – são ligados ao apartamento de cobertura, também doado ao instituto, em pequeno prédio que faceia o antigo Cassino da Urca. O ICCA oferece à cidade o sítio privilegiado, de onde se descortinam algumas das vistas mais especiais da cidade e da Baía de Guanabara.

Muito se tem feito nesses últimos 10 anos, especialmente porque, já há muito, a FAPERJ ampara o ICCA com preciosas bolsas de mestrado, doutorado e – o mais comovedor – de iniciação científica, dando aos estudantes de arquivologia, museologia, história e música a oportunidade rara de “botar a mão à massa”. Ou seja, a intimidade, tão necessária, com o concreto, o real, enfim, o objeto do estudo empreendido na universidade. Vale realçar aqui um dos orgulhos da nossa instituição: ela é um organismo pulsante, atuante, vivo, mas que funciona basicamente em patamares acadêmicos. Ou seja, com as bolsas de estudo fornecidas prioritariamente – e desde seu início há exatos dez anos – pela FAPERJ. O ICCA não apenas mantém em exposição permanente e/ou temporária uma apreciável coleção de arte brasileira, composta de discos, fotos, quadros, objetos e mobiliário de época. O Instituto está fazendo muito mais que isso. Cria projetos, com idéias generosas e originais, para fazer florescer seus dois objetivos principais que são o levantamento, a preservação necessária de acervos que são doados regularmente ao ICCA, e a constante promoção do melhor da música brasileira, em especial a popular e a carioca.

O prestígio de nossa música popular, na verdade, consolida-se em todo o mundo, podendo ser considerada como um dos símbolos de nossa gente, seus hábitos, seus fazeres, haveres e falares.

Por tudo isso, surgiu a idéia do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, o único exclusivamente dedicado à música popular do Brasil, iniciado em 1995 pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

O dicionário, que está on-line desde 2001, justifica-se não só pela possibilidade de tentar recuperar e consolidar a memória musical de nosso povo. Justifica-se, sobretudo, pela vontade de resgatar nomes, períodos históricos, canções e gêneros. Aliás, aqui se faz necessário destacar que a cada mês dispomos de mais material para análise e preparação e/ou aprimoramento de novos verbetes. Continuamos a receber de todo o Brasil e do exterior uma quantidade expressiva de dados inéditos, entre informações novas, sugestões, retificações e adendos: este é um trabalho que jamais terá um final, uma conclusão. Aliás, dentre os livros editados pelo ICCA, um se destaca: lançado em 2006, o Dicionário Houaiss Ilustrado da MPB é uma edição do dicionário on-line de refinado acabamento gráfico e impecável definição de substância e pesquisa. Entenda-se por bom acabamento gráfico nunca luxos supérfluos, mas sim definições gráficas inovadoras e contemporâneas.

O dicionário contém ilustrações (desenhos e caricaturas), de nomes que vão de Jota Carlos a Chico Caruso, envolvendo uma quase antologia da caricatura no Brasil, trabalho curatelado por Cássio Loredano, que reuniu quase 700 caricaturas. Contamos também com algumas reproduções de capas de discos valiosas, interessantes e históricas, que foram recolhidas da Discoteca do ICCA.

Outra inovação do ICCA foi um criativo folder eletrônico. O Instituto, coerente com seus objetivos, realizou, com o apoio da FAPERJ, um vídeo institucional. Ou seja, ele próprio se mostra em imagens, em menos de dez minutos.

O Instituto também realizou, ainda com o patrocínio da Fundação, o mapeamento das escolas de samba do estado do Rio de Janeiro, desde a origem até os dias de hoje, registrando os desfiles, seus autores sua história e as cores da escola. O trabalho que o Instituto realizou foi da maior importância para a preservação e a promoção deste extraordinário fenômeno social e cultural que é o carnaval carioca.

Amparado por instituições como BNDES e a Finep, outro objetivo de essência é a preservação/ampliação da Discoteca Cravo Albin – considerada uma das melhores do País em elepês de MPB – assim como de dezenas de outras coleções particulares que já foram doadas por outros colecionadores. As doações, a propósito, não param de chegar ao Instituto, constituindo-se em valioso acervo, sempre renovado, a cada semestre, a cada ano.

Enquanto seu acervo se nutre e melhora a cada mês, o ICCA promove a realização permanente de atividades sobre MPB, envolvendo a celebração da memória, através de saraus, seminários, cursos e palestras, além de livros, catálogos e monografias que são transcritos e publicados.

Especificamente a partir dos nossos saraus, não passa despercebida pela população carioca a utilização da sede social do ICCA, com seu espaço cênico privilegiado, para manifestações e eventos que celebram a música popular do País e o Rio de Janeiro como cidade sedução do País, além de comemorar datas históricas e homenagear figuras representativas do nosso cenário cultural e musical.

Mas, dentre todos os projetos prioritário deste instituto, o início do projeto MPB nas Escolas terá sido a grande realização socioeducacional da nossa organização, no começo dos anos 10 do século XXI.

A partir das pesquisas realizadas e considerando a necessidade de atender ao público infanto juvenil, matriculado nas escolas do Ensino Médio, optou-se por produzir uma série de seis cartazes didáticos, acompanhados por seis DVDs, seis livretos e um precioso CD contendo vinte dos melhores canções do País.

Com esta coleção, os estudantes do Ensino Médio do estado do Rio de Janeiro receberam informações básicas sobre a história e a trajetória da nossa música popular, podendo aprofundar o conhecimento através de pesquisas no site do Dicionário Cravo Albin da MPB.

Os seis livretos ilustrados contêm o desenvolvimento das informações históricas (abordadas nos seis cartazes/pôsteres) em linguagem adaptada aos jovens, bem como os principais verbetes individualizados de cada um desses “segmentos estratégicos” da história da MPB. Os seis DVDs – curtas metragens com cerca de 15 a 20 minutos cada um – exibem material contendo histórico de cada um dos nossos seis “segmentos estratégicos” acima expostos. Cada DVD foi estruturado em forma de aula prática, com depoimentos de artistas famosos e especialistas notórios na matéria. Entendemos ser este projeto, além de pioneiro, absolutamente inédito.

Outro projeto de sucesso, Visita à Música Popular, foi criado pelo ICCA para estimular o gosto das crianças cariocas pela história da MPB, seus grandes vultos, seus principais ritmos e suas origens. Patrocinada pela FAPERJ, a novidade foi a visita à sede histórica do Instituto por alunos da rede municipal de ensino básico. A cada mês, um grupo de 40 a 50 crianças visitou o ICCA na Urca, tendo a oportunidade de entrar em contato com a sedução da MPB, através de aulas práticas, vídeos e gravações históricas.

O Instituto também foi escolhido pelo Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores para, entre 2002 a 2007, dar consultoria e produzir CDs sobre a essência da MPB para a publicação “Texts from Brazil”, de distribuição mundial, vertida para o espanhol, francês e inglês. Também, a convite do então embaixador do Brasil em Londres, Celso Amorim, produziu um site, em português/inglês, sobre toda a história da MPB, que ficou em exibição durante quatro anos na embaixada do Brasil no Reino Unido.

Em 2007, o Itamaraty e seu Departamento Cultural encomendaram (juntamente com a Fundação Alexandre de Gusmão) a versão ampliada do livro, todo em inglês, “Tones and Sounds of Rio de Janeiro of San Sebastian”, contendo o DVD da Sinfonia do Rio de Janeiro, de autoria de Francis Hime, gravada ao vivo no Theatro Municipal do Rio, com Lenine, Zé Renato, Leila Pinheiro, Olívia Hime e Sergio Santos, acompanhados por orquestra sinfônica e coral.

Em 2009 e 2010, a parceria do Ministério das Relações Exteriores com o ICCA foi alimentada por dois novos e preciosos volumes, que tiveram a colaboração decisiva da Finep e ainda da FAPERJ. Foram os “capas-duras” MPB – A alma do Brasil (escrito por cinco autores: Ricardo Cravo Albin, João Máximo, Arthur Xexéo, Antonio Carlos Miguel e Luiz Giron) e Vinícius de Moraes, ambos acompanhados por preciosos CDs e DVDs.

Finalmente, em parceria com a empresa de comunicação Insight, o Instituto edita, há 5 anos ininterruptos, a revista trimestral Carioquice, com mailing exclusivo para 10 mil destinatários. A revista é considerada um sucesso editorial pelo nível e esmero de sua confecção. E agora, em 2011, entra no ar a nossa maior novidade, também propulsionada pela FAPERJ: a rádio Dica da MPB, uma luz de originalidades na web para contemplar o que de melhor se pode ouvir em MPB no País.

Em resumo: chegamos aos 10 anos como se já tivéssemos cumprido mais de 20.