Laboratório de Etnografia e Estudos em Comunicação, Cultura e Cognição

Organizado em 2002 como Grupo de Pesquisa em Comunicação, Cultura e Cognição e creditado pelo CNPq e PROPPi (Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação) da UFF, o LEECCC nasceu com o objetivo enfatizar a etnografia como suporte metodológico em diferentes frentes de pesquisas, extensão acadêmica e consultoria/tutoria intelectual.

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COMO OS JOVENS VIVEM E APRENDEM COM AS NOVAS MÍDIAS?

De onde quer que se olhe, quando se fala da relação da juventude com a Internet e redes sociais, todo mundo menciona primeiro os riscos, os perigos e as ameaças que pesam sobre eles. Perigos que muitas vezes justificam todos os excessos de segurança... No entanto, os pesquisadores denunciam amplamente esta inversão, a tentação ansiosa de hipercontrole que definitivamente não vai ajudar nem os pais nem os jovens a abordar e compreender as formas das novas sociabilidades que se desenvolvem online.
Depois de observar um problema prático e recente, o retorno do estudo de fundo sobre a relação da juventude com a Internet
Em 2008, a Fundação MacArthur entregou os resultados de um imponente estudo qualitativo sobre a prática de novas mídias pelos jovens. Este projeto de pesquisa sobre a juventude digital reuniu em três anos mais de 28 pesquisadores interessados sobre as práticas de mais de 800 jovens.

Segundo as conclusões do estudo Vivendo e aprendendo com as novas mídias, o tempo que os adolescentes e adultos jovens passam online, trocando mensagens instantâneas ou MySpace não é uma perda de tempo, mas permite que eles cresçam, amadureçam.

"Ao passar o tempo online, os jovens a adquirem um ‘savoir faire’ ou habilidades sociais e técnicas necessárias à sua participação na sociedade contemporânea", disse ao New York Times a socióloga Mizuko Ito, que liderou o estudo. "Eles aprendem a conviver com outras pessoas, gerenciar sua identidade pública, criar páginas web". Para Mizuko Ito os perigos da Internet são superestimados: "Há muita confusão sobre o que os jovens estão fazendo online. Na maioria das vezes, eles socializam com seus amigos ou com outros jovens que se conheceram na escola, nas férias ou no esporte".

Tipologia de práticas de jovens

Entrevistados longamente (segunda e terceira parte) com outros autores do estudo sobre o blog de Henry Jenkins (ex-diretor do programa de estudos comparativos de mídia do MIT), Mimi Ito, explica que a principal contribuição do estudo foi compreender como os diferentes tipos de práticas estão ligados uns aos outros. "O que distingue as práticas midiáticas dos jovens repousa na diferença entre o que chamamos de práticas conduzidas pela amizade e práticas organizadas em torno de interesses. A participação centrada na amizade é o que corresponde para maioria dos jovens quando estão online: passar tempo com amigos, se divertir, paquerar e se comparar através de sites sociais como MySpace ou Facebook. A participação baseada em interesses refere-se às práticas mais ou tecnófilas ou mais criativas, onde os jovens se conectam online com outras pessoas em torno de interesses e paixões compartilhados tais como os jogos ou a produção criativa".

Além dessas participações baseada na amizade ou centrada em interesses, “também identificamos três tipos de participação e de aprendizagem", disse Haether Horst, uma antropóloga da Universidade da Califórnia:

  • Hanging out (passar um bom tempo juntos), usando ferramentas como mensagens instantâneas, o Facebook ou o MySpace para encontrar e conversar com amigos;
  • Messing out (surfar) buscar informações, mexer com meios experimentais ou navegar ao acaso;
  • Geeking out (nerdice), ou mergulhar profundamente em uma área de interesse ou de conhecimento especializado.

"O que é importante sobre esta tipologia é que ela não é para classificar os jovens como tendo uma identidade única ou um conjunto de atividades bem definidas. Mas claramente identificar maneiras diferentes com que eles podem participar da cultura midiática. (...) A diversidade das práticas reflete as diferentes motivações, níveis de compromisso intensidade no uso dessas novas mídias", disse Mimi Ito. Os jovens usam mensagens instantâneas e celulares para se coordenar com seus amigos, bem como as capacidades técnicas avançadas de baixar filmes ou ainda, achar tutoriais para aprender a “hackear” o seu computador.

O estudo insiste no fato de que os jovens usam a Internet para se socializar entre eles. Como diz a pesquisadora Danah Boyd, "ele é essencial para que os adultos percebam que estes sites funcionam essencialmente para reforçar as conexões pré-existentes, usando a tecnologia como meio de mediação. A mobilidade dos jovens é severamente restrita, e as tecnologias são um meio para eles sair do âmbito da escola. Os sites de redes sociais tornaram-se os meios para ampliar seu espaço. O fato de que eles podem ser utilizados pelos jovens para se conectar com as pessoas que não conhecem não significa que eles o façam. Centrando-se sobre os riscos, os adultos perderam o contato com os benefícios que esses sites oferecem aos jovens".

De fato, acrescentou Christo Sims, um estudante da Escola de Informação de Berkeley, a maioria das práticas observadas mostra que os jovens usam sites de redes sociais para complementar as suas relações sociais off-line ao invés de fazer novos amigos do outro lado do mundo. "Dito isto, é claro, houve casos em que os jovens desenvolveram relacionamentos online que se estendia para além da escola, seu bairro ou seus grupos de atividade. Os jovens mais marginalizados (como homossexuais, minorias étnicas ou imigrantes) dentro de seus universos locais e sociais estão muitas vezes on-line procurando amizade ou intimidade”. As práticas com foco em áreas de interesse ocorrem mais frequentemente interações com as pessoas além de sua região ou de grupos sociais a que os jovens pertencem. "Quando, nesses casos, as amizades se desenvolvem, assemelham-se as relações entre correspondentes, partilham as idéias sobre como é a vida em suas respectivas cidades, discutindo os desafios e problemas de ser adolescente". As interações parecem mais como uma auto-exploração ou um jogo sobre a identidade.

TRADUÇÃO DA SÍNTESE DO ESTUDO "VIVENDO E APRENDENDO COM A NOVA MÍDIA"

Os sites de redes sociais, os jogos online, os sites de compartilhamento de vídeo, os gadgets como os iPods e os telefones celulares são agora os acessórios da cultura dos jovens. Eles estão tão impregnados a vida dos jovens que é difícil acreditar que eles existem apenas uma década. Hoje, como também foi o caso de ontem por seus antecessores, os jovens atingem a idade da luta pela autonomia e identidade, mas eles fazem isso por meio de novos modos de comunicação, novas formas de amizade, de jogar e de auto-expressão.

(...) O estudo foi motivado por duas questões principais da pesquisa: como as novas mídias se integram nas práticas e nas agendas da juventude? E como estas práticas os afetam na dinâmica das falas, das alfabetizações e da aprendizagem e do conhecimento dos jovens?

A extensão de amizade e interesse

Os espaços online permitem que os jovens de se conectar com seus pares de novas maneiras. A maioria dos jovens usa as redes on-line para estender suas relações de amizade entre seus contextos familiares, da escola, das organizações religiosas, esportivas e outras atividades locais. Eles podem estar sempre, em constante contato o com seus amigos via SMS, mensagens instantâneas, telefone celular ou ligação à Internet. Isto requer uma presença continuada e manutenção das conversas através de comunicações privadas, como mensagens instantâneas ou telefones celulares e através de comunicações públicas, como sites de redes sociais como o MySpace ou Facebook. Com estas práticas conduzidas pela amizade, os jovens estão em contato constante com pessoas que já sabem em sua vida real. A maioria dos jovens usa a nova mídia para passar o tempo com seus amigos e estender suas ligações de amizade desta forma.
Um número menor de jovens também usa suas conexões para encontrar a informação ou para explorar os seus centros de interesses que vão além do que eles têm acesso à escola ou o que eles encontram em sua comunidade local. Grupos on-line permitem aos jovens de se conectar com colegas que partilham interesses comuns, trata-se de jogos online, escrita criativa, edição de vídeo ou outras atividades artísticas. Nessas redes motivadas por interesse, os jovens encontram novos colegas fora de suas comunidades locais. Eles também podem encontrar oportunidades para compartilhar e divulgar seu trabalho online para aprender novas formas de visibilidade e reputação.

Auto-aprendizagem e aprendizagem entre pares

Quer seja nas atividades motivadas pela amizade ou de interesses, os jovens criam e navegam entre as novas formas de expressão e novas regras de comportamento social. Durante o processo, eles adquirem diversas formas técnicas e habilidades em explorar novos interesses, mexer e brincar com novas formas de mídia. Geralmente eles (jovens) começam com uma consulta no Google ou se esconder em salas de chat para saber mais sobre o assunto que lhes interessa. Por tentativa e erro, eles adicionam novas competências ao seu repertório, como de saber criar um vídeo ou personalizar um jogo ou sua página do MySpace. Os adolescentes compartilham seguidamente suas criações e recebem os comentários de outras pessoas. Pelo seu imediatismo e magnitude do mundo digital reduziu as barreiras para a aprendizagem autônoma.

Ao contrário da imagem clássica, "mexer" é um fato altamente social e engajado, embora geralmente pouco compartilhada pelas amizades locais. Os jovens utilizam a os conhecimentos especializados de ambos adultos e adolescentes em todo o mundo, com o objetivo de melhorar suas habilidades e ganhar a reputação de especialistas frente seus pares. O que torna esses grupos únicos é que se os adultos estão envolvidos, sua idade não significa automaticamente “expertise”. O mexer ou experimentar, em muitos aspectos, apaga os marcadores tradicionais de status e autoridade.

As novas mídias permitem uma liberdade e uma autonomia que os jovens não encontram nas salas de aula. Jovens respeitam uns aos outros quando interagem on-line, e são mais dispostos a aprender com seus pares e adultos. Seus esforços são aplicados principalmente para si mesmos, e os resultados aparecem principalmente através da exploração, em contraste com a aprendizagem em sala de aula que é orientada com metas e objetivos e bem definidos.

Implicações para educadores, pais e formuladores de políticas

As novas mídias mudaram a forma como os jovens socializam e aprendem. Isto levanta uma série de perguntas que os educadores, pais e formuladores de políticas devem considerar.
As mídias sociais e de entretenimento são utilizados como locais de aprendizagem. Contrariamente à percepção dos adultos, enquanto se diverte na internet, os jovens aprendem habilidades sociais básicas e tecnologia de que necessitam para participar plenamente na sociedade contemporânea. Erguer barreiras à participação é privar os jovens do acesso a estas formas de aprendizagem. A participação na era digital significa mais do que ser capaz de acessar informação e cultura "séria". Os jovens se beneficiariam mais de educadores mais abertos às formas de experimentação e exploração social que geralmente não são característicos de instituições de ensino.

Reconhecer as distinções importantes na cultura e alfabetização da juventude

As participações on-line baseado na amizade e centradas em interesses têm muitas conotações sociais. Por exemplo, enquanto as atividades realizadas pela amizade estão centradas em uma cultura de grupo, a participação do adulto é mais bem acolhida em formas de aprendizagem entretenimento. Além disso, o conteúdo, os modos de retransmitir e as habilidades que valorizam os jovens variam de acordo com os tipos de grupos sociais que lhes estão associados. A diversidade dessas formas de alfabetização digital significa que é difícil desenvolver um conjunto de pontos de referência para medir os níveis de habilidades e técnicas da alfabetização nas novas mídias.

Capitalizar sobre a aprendizagem entre pares

Utilizando as novas mídias, os jovens muitas vezes aprendem com seus pares, em vez de professores ou adultos. As noções de autoridade e expertise estão abertas. Esse aprendizado, fundamentalmente diferente do ensino tradicional, muitas vezes é visto negativamente pelos adultos como uma "pressão social". Contudo, os adultos ainda podem ter grande influência no estabelecimento de metas de aprendizagem, especialmente para a exploração de centros de interesses, onde os adultos mantiveram um modelo e até mais experiências.

Um novo papel para a educação?

As formas de participação dos jovens neste mundo conectado sugerem novas maneiras de pensar sobre o papel da educação. O que realmente significa explorar os potenciais das possibilidades de aprendizagem oferecido pelos recursos on-line e redes? Ao invés de supor que a educação é usada principalmente para preparar os jovens para as suas futuras carreiras, pode-se pensar nisso como um processo para orientar a participação dos jovens na vida pública de maneira geral? (...)

Os jovens são realmente os "nativos digitais"?

Podemos falar de "nativos digitais" para descrever esses jovens nascidos com as tecnologias digitais? Interroga novamente Henry Jenkins. O termo usado para enfatizar a forte relação que os jovens têm com a tecnologia, diz Rebecca Herr Stephenson do Instituto de Ciências Humanas da Universidade da Califórnia, "mas a maioria dos alunos que observei e entrevistei não têm necessariamente um computador, equipamentos de acesso à Internet ou vídeos disponíveis em todos os momentos". No entanto, eles frequentemente usam sua criatividade e a tecnologia para encontrar informações, expressar ou se comunicar com amigos, como aqueles que convertem uma câmera digital em leitor mp3. A vantagem do termo "nativos digitais", diz Danah Boyd, apesar de ambígua, é que promove o envolvimento dos adolescentes com as mídias digitais e mostra que eles não são mudos ou incapazes. No entanto, por "reforçar as distinções entre as gerações, reforçamos a segregação endêmica com base na idade que atormenta nossa sociedade. Muitos dos problemas sociais e cívicos existentes resultam da forma como separaram as pessoas (em particular) em função da idade".

Os pais muitas vezes querem estruturar o tempo passado on-line de seus filhos. Mas, como mostram alguns resultados do estudo, as experiências mais produtivas, muitas vezes surgem quando os jovens usam computadores de maneira não estruturada, quando eles passam um bom tempo ou navegam aleatoriamente. "É importante notar que o engajamento produtivo não é só para a aprendizagem tradicional ou de alfabetização técnica", disse Danah Boyd. "Como sociedade, nós nunca passamos muito tempo examinando a maneira como os jovens aprendem a ser socialmente competentes, como eles aprendem a dar sentido as normas culturais e desenvolver contratos sociais, ou como eles aprendem para ler as reações dos outros e agir em conformidade. Esperamos que os jovens sejam educados e tolerantes, que respeitem os sentimentos dos outros e se comportem adequadamente em diferentes situações. É tudo o que os ensinamos. E não se aprende apenas dizendo-lhes como se comportar. Eles precisam de experiência social, interagir com os pares, a cometer erros e ajustar o seu comportamento. (.. .) Mesmo práticas humilhantes ou degradantes de alguns sites online são extremamente produtivas”.

No entanto, os autores do estudo não possuem um fascinante olhar para a contribuição da tecnologia para esta geração. Nem por isto, eles assassinam esses nativos digitais, ao contrário do que qualifica Mark Bauerlein, autor de The Dumbest Generation (A Geração mais Idiota ). "Para muitos jovens, incluindo alguns daqueles que entrevistamos e observamos no Projeto Juventude Digital, a Internet é uma grande onda de jogos envolto em banners, sites cheio de informações imprecisas e empresas olhando para ganhar dinheiro as custas dos jovens", disse Rebecca Herr. "No entanto, ao contrário de Bauerlein, eu não acho que a culpa seja das crianças. Eu acho que é culpa nossa, porque os adultos (pais, educadores, políticos, mídia...) não se esforçam para compreender a Internet em termos de juventude, e aprender a avaliar o que eles encontram online”. A crítica de Bauerlein não é nova e pode ser ouvida com frequência nas palavras dos pais e professores quando eles falam sobre como escrever mensagens de texto ou quando eles lamentam as atividades que os jovens abandonam a favor de jogos de vídeo ou navegar na web. "É tentador culpar os meios de comunicação e novas tecnologias para explicar os problemas culturais e sociais enfrentados", disse Mimi Ito. “Mas a pesquisa mostrou que as coisas são muito mais complexas do que isso, e usar a mídia como um bode expiatório obscurece algumas consequências importantes por trás dele. A nova tecnologia cresce para fora de nossos padrões e práticas. O fato de que muitos jovens não fazem parte do tipo de cultura que Bauerlein descreve não é um problema causado não apenas pela tecnologia, mas é muito mais enraizado nas diferenças sociais existentes e culturais. Se os jovens fazem coisas on-line que parecem improdutivas ou problemáticas, não achamos que a resposta seja proibir a sua mídia. Pelo contrário. Acreditamos que é importante olhar e tentar transformar os problemas sociais subjacentes que é a comercialização de espaço on-line, a falta de vínculos entre crianças e professores, ou o fato de que o conhecimento teórico não parece relevante para muitas crianças”.

A participação dos jovens não é uniforme: É possível que ela disfarce as divisões sociais, culturais e econômicos da sociedade? Qual o papel das diferenças de classes sociais no uso destas plataformas pelos jovens?

À medida que mais e mais jovens de todas as classes sociais nos Estados Unidos têm a sorte de ter acesso a essas novas mídias, é claro que a natureza e a qualidade de acesso ainda é muito variável, explica Lisa Tripp , professora de comunicação na Faculdade de Informação da Florida State University. Muitos jovens das classes pobres e trabalhadoras só contam com as escolas para acessar a Internet e as ferramentas de produção digital. Permanecer somente na escola o uso destes meios de comunicação não é o mesmo: muitas vezes é conduzido pelo professor e, muitas vezes excluídos do acesso a sites de redes sociais, mensagens instantâneas e ferramentas utilizadas pelas gerações mais jovens. "Para eles, pode ser um desafio encontrar o tempo, lugar e os recursos para a experiência mais aberta à mídia e se engajar em práticas que a juventude considera mais significativa..." . Além disso, entre os mais pobres, as práticas sociais relacionadas com o computador são menos aceitas pelas famílias, que desejam o uso do computador por seus filhos de forma tão eficiente quanto possível.

Por que as atividades dos mais novos transcorrem online?

O estudo insiste longamente sobre o fato de que os jovens usam as novas mídias para fazer coisas que antes eram off-line. "Por que as atividades dos mais jovens transcorrem online?" Henry Jenkins pergunta novamente. "As práticas são as mesmas, mas são reformulados em novas formas", diz Christo Sims. "Quando se trata de paquera, a principal vantagem de fazer on-line é que todo o processo pode ser um tanto mais controlado e, aparentemente, mais casual. As trocas assíncronas oferecem mais tempo para compor. Além disso, há menos coisas para gerenciar comparado ao telefone ou a interação face a face: o tom da postura, voz e muitos outros signos não-verbais não têm de ser geridos. Além disso, cada e-mail é, pelo menos num primeiro momento, muito breve e de pouca conseqüência: uma pequena mensagem "não é uma grande coisa". Um padrão de comportamento que o pesquisador chama de “casualmente composto." "Outra vantagem de flertar on-line é que ele não tem que lidar com um grupo de pares". Na escola a interação entre meninos e meninas é muitas vezes em grupos e rapidamente conhecidas. Se a Internet sabe ampliar este sentimento de agir em público, ele também pode oferecer métodos de comunicações privadas. Finalmente, os conflitos e recusas são mais fáceis de gerenciar on-line: simplesmente não responder a uma mensagem, deletar um pretendente. Esta estratégia passiva também permite que a pessoa recuse a salvar a face, porque ele nunca oficialmente recusou: a conversa apenas parou.

Deve ser entendido que, se as relações com as redes oferecem novas oportunidades para a interação social, elas tomam o lugar das liberdades que tenham sido confiscadas, denuncia Danah Boyd.
Quando perguntado se os adolescentes preferem socializar online ou off-line, eles dizem que sempre preferem relações face a face. "No entanto, para muitos jovens, essas interações são freqüentemente irrealistas." As razões são variadas: alguns adolescentes têm dificuldades de deslocamento para encontrar os seus amigos, outros não têm tempo, porque suas vidas são altamente estruturadas pelas atividades. Autoridade parental e práticas sociais limitam muitos encontros entre eles. “Ainda que estejam muitas vezes juntos, afinal, os jovens têm poucas oportunidades para se encontrar com amigos, e menos ainda com os seus pares. Os sites sociais e outras redes públicas permitem aos jovens se reunir de novas formas, de forma assíncrona e em diferentes espaços físicos”.

FONTE - www.internetactu.blog.lemonde.fr/2011/11/21

Le Monde
Tradução: Ana Elisa Prates